Tornar-se Mulher

Mar 06, 2016

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A maioria dos problemas das Mulheres com que me deparo resume-se a uma única palavra – CONSCIÊNCIA. Pode à partida parecer redutor e até simplista, poderá sê-lo, mas acredito convictamente que esta é a realidade. Vistas e revistas as coisas acaba sempre por ir ter tudo ao mesmo local - o cérebro, a consciência!

Nós Mulheres, muito mais do que os homens, somos peritas em não querer ver determinadas realidades, factos e acontecimentos… Temos o dom de conseguir turvar, reinterpretar, colorir e tapar realidades que não nos interessam ver ou que acreditamos serem potencialmente dolorosas.

Estas ações de encobrimento e camuflagem podem não ser conscientes mas têm resultados catastróficos para a nossa saúde - física e mental. Fazemos isso porque aprendemos a fazê-lo, porque vimos fazer e assim aprendemos, e não temos consciência do mal que nos estamos a fazer.

É convicção geral que as Mulheres estão mais ligadas às emoções, sujeitas aos ‘desvarios hormonais’, ao desgaste dos problemas familiares; mas é também convicção que somos mais sensíveis, mais capazes de compreender e lidar com as emoções, mais hábeis a utilizar a linguagem para comunicar o que sentimos e pensamos.

A verdade é que, quando não estamos bem, toda essa sensibilidade e competências linguísticas servem apenas para DESCOMUNICAR, para CONFUNDIR ou para nos LUDIBRIARMOS no mar tempestuoso das emoções em que vivemos. Acreditamos que somos excelentes nesta área e que nos podemos autodiagnosticar. Tão enganadas andamos…

Não podemos presumir que só porque nos atribuem determinadas competências seremos sempre infalíveis nas avaliações que fazemos e atitudes que tomamos. Não podemos, acima de tudo, acreditar em tudo o que pensamos! Quando estamos fragilizadas o nosso cérebro não tomará certamente as melhores decisões, e não é de todo verdade que as tomamos com o coração. A verdade é que as zonas do cérebro que nos ajudariam a refletir, a ponderar e tomar decisões saudáveis e eficazes para nós, estão pouco ativas, às vezes mesmo ‘praticamente desligadas’.

As mulheres estão sujeitas a alterações hormonais constantes, a flutuações de humor e a um desgaste emocional severo. Temos que aprender a cuidar de nós e não nos tornarmos escravas desta conjuntura, seja ela exaustão, ‘desarranjo hormonal’, TPM, fragilidade emocional, mau humor, sob pena de deixarmos de sermos nós para passarmos a ser controladas por tudo isso.

É bem verdade que a Mulher é instintiva e intuitiva, defende a sua prole como uma leoa e tem um sexto sentido apuradíssimo – está na sua natureza! Mas se o seu intelecto, se a sua mente não estiver ao serviço dessa intuição e instinto, provavelmente as suas decisões não serão as melhores para si e nem para os seus.

Ter emoções e falar delas com regularidade não chega para ter um QE elevado ou para se ser emocionalmente inteligente. Para tal, é necessário sermos inteligentes na forma como lidamos com as nossas emoções e com as dos outros. É preciso que haja consciência das nossas verdadeiras emoções, de como estas nos afetam e influenciam o que fazemos, dizemos e sentimos. Só com consciência é possível ser emocionalmente eficiente e inteligente.

Procurar pessoas que pensam como nós, que concordam com tudo o que dizemos e fazemos, pode não ser a nossa melhor opção. Quando não estamos bem temos tendência a procurar ‘pares de desgraça’, pessoas que pensam como nós, que estão a viver situações semelhantes, que padecem dos mesmos males. Ora, se nós não estamos propriamente na melhor das situações e condições, como podemos esperar que alguém que está precisamente como nós possa ser a melhor opção de companhia? Mais, como podemos acreditar que poderá ser uma boa influência?

Às vezes é necessário um pouco de coragem para ouvir aquelas pessoas que sabemos que querem o melhor para nós e, com toda a certeza, nos dirão o que não queremos ouvir. Mas, quiçá sejam estas pessoas que farão a nossa consciência despertar, acordar das trevas. Quiçá sejam estas as nossas pessoas, aquelas que por quererem o melhor para nós se atrevam a enfrentar-nos. Se tivermos essa coragem seria óptimo aprender a ouvir serenamente sem contra-argumentar ou justificar, ouvir como se não nos estivessem a atacar, mas sim a oferecer-nos algo.

Há uma frase que diz: Só à volta de uma Mulher que ama se constrói uma família. Acredito que é verdade, mas o contrário também o é – quando uma mulher não se ama, não sabe amar, e essa falta de amor-próprio é capaz de destruir várias famílias.

O problema não são os outros, e outros não serão certamente também a solução. Só nós temos a capacidade de nos entendermos, de nos conhecermos, porque se assim não for como poderemos saber o que queremos e é melhor para nós?

Aproveite o espírito deste 8 de Março para melhorar a sua relação consigo, para se descobrir, para se conhecer e compreender melhor, para se cortejar, mimar e encantar… quiçá daí surja um grande amor. Torne-se uma MULHER MELHOR para si e AME-SE!

 



Categoria: Nós & a Família

Ana Raquel Veloso

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Licenciada Comunicação
Pratictioner Program. Neurolinguística
Pós-Graduada Neuropsicologia Clínica


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Enviado por Carlos Guerra em
Parabéns ARVeloso. Muitas das coisas que escreve também de aplicam aos homens. Claro que as mulheres são mais "complicadas e completas" se é que posso dizer assim... e tudo é comunicação (não é possível não comunicar). Infelizmente, as mulheres, ainda dependem muito do outro género mas cada vez menos. Por razões económicas, paixões, falta de poder, etc
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