Crianças felizes, Crianças saudáveis!

Feb 06, 2017

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Será que hoje as crianças são tão felizes como o eram outrora? Será que crescem demasiado rápido? Ou será que as mantemos infantis até mais tarde?

Por um lado, creio que obrigamos as crianças a crescer depressa demais, seja pelas realidades a que as expomos ou pelas dificuldades que necessariamente têm de gerir. A verdade é que muitas das situações que vivem ultrapassam aquilo que seria aconselhável para estas idades.

Nos dias de hoje uma criança vive aprisionada no tempo. São as horas da escola, as atividades extracurriculares, o estudo acompanhado, os trabalhos de casa, o desporto, as festas dos amiguinhos …, enfim um sem número de atividades que lhes preenchem por completo os dias, as semanas e os meses, sem lhes deixar tempo para relaxar, nada fazer e descobrir o que é ser criança.

Não obstante todas estas atividades já serem excessivas, muitos ainda têm que pensar se coincidem com a semana, ou fim de semana, do pai ou da mãe, e perceber como é que se vão organizar nessas circunstâncias. Até para nós, se tivéssemos que alternar entre duas casas, a gestão da vida quotidiana seria muito difícil.

Este excesso que os obriga a gerir coisas que não lhes estavam destinadas em tão tenra idade, já para não falar de todos os conflitos e má gestão emocional associados a muitas situações familiares, faz com que os nossos pequenos se tornem grandes na arte de gerir as dificuldades da vida quotidiana.

Mas, se por um lado crescem precocemente, por outro parece que em determinadas áreas ficam infantis até mais tarde. Na minha opinião está tudo relacionado. Se as crianças têm tudo planeado e andam acelerados o tempo todo, faltam-lhes momentos em que possam desenvolver outras competências que só surgem com liberdade e descontração.

Uma criança aprende com a vida, ora se não a deixamos viver e se a encarceramos nos padrões da nossa, é natural que haja coisas que não aprende e competências que não desenvolve. Uma criança sem liberdade para o ser, nunca será um adulto saudável e livre.

Pensemos, como se aprende a superar frustrações, a gerir as emoções, a negociar entre partes, a perdoar, a encontrar soluções criativas, a jogar em equipas, a perceber os valores que nos movem? Tudo isto se aprende em criança! É nos confrontos da vida quotidiana que nos fazemos gente, que nos conhecemos e aprendemos a saber quem e como somos.

Será que, com toda esta aceleração, não estamos a roubar às nossas crianças a possibilidade de desenvolverem a sua inteligência emocional e de se tornarem adultos saudáveis?



Tags: Família
Categoria: Nós & a Família

Ana Raquel Veloso

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Licenciada Comunicação
Pratictioner Program. Neurolinguística
Pós-Graduada Neuropsicologia Clínica


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