Disfarces e Limitações

Feb 24, 2017

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Ontem enquanto falava com a minha sobrinha de quase quatro anos, a mãe pediu-lhe para ela me contar a escolha que havia feito para este Carnaval. Percebi pela forma como a conversa estava a ser conduzida que haveria algo menos habitual no disfarce que escolhera…

É normal as meninas quererem mascarar-se de princesas, fadas ou bonecas que encontramos na banda desenhada. De tão habitual que é esta escolha (pelo menos assim acreditamos) praticamente todos os fatos que encontramos à venda para meninas são sempre com esses temas. As opções para as meninas são bonitas, cintilantes, glamorosas e nem sempre muito práticas…

Nos poucos anos de vida da minha sobrinha as vezes que a vi com disfarces foram de princesas da Disney. Mas, este ano tudo iria ser diferente…

Quando ouviu o pedido da mãe para me contar a sua escolha para o carnaval, prontamente me disse que queria ir de Batman. A mãe tentava perceber se ela tinha consciência de que esse era um disfarce de menino, e com alguma cautela explicou-lhe que havia o equivalente para menina, que seria Batwowan.

Na verdade pouco adiantou, pois a sua escolha estava feita e muito bem justificada. Disse-me: sabes tia, gosto mais de ser um super-herói do que uma princesa. Faz todo o sentido! O papel de princesa não a cativa tanto como o do aventureiro e dinâmico super-herói!

Fiquei a pensar nesta questão e nas consequências do constrangimento social a que poderemos estar a sujeitar as meninas… e ao qual teremos também sido sujeitas. Quem nos disse que podemos ser também super-heroínas com poderes para transformar o mundo? Quem nos ensinou a sonhar de forma grandiosa? Quem nos disse que nos tínhamos que contentar com o papel de princesa? Por que razão não podemos ser rainhas?

Se os sonhos são rascunhos para a vida devemos perceber que quando uma criança sonha está a traçar o seu caminho, está a tentar perceber o que é possível e como poderá lá chegar. Todos somos seres únicos e com vidas feitas à medida para nós por isso cada um terá o seu caminho para lá chegar.

O melhor que podemos fazer é dar liberdade às nossas crianças para serem o que quiserem e darmo-nos liberdade a nós para acreditar que isso é possível!



Tags: Família
Categoria: Nós & a Família

Ana Raquel Veloso

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Licenciada Comunicação
Pratictioner Program. Neurolinguística
Pós-Graduada Neuropsicologia Clínica


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