O lado B da Maternidade

May 04, 2017

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Penso que são inquestionáveis, e mais do que falados, os privilégios de ser mãe. Conceber, gerar, dar à luz e criar um ser humano é algo de muito valor e gratificante. Esta capacidade que nos foi dada para criar vidas é sem dúvida um enorme privilégio mas, como em tudo na vida, vem com um preço…

Falo com muitas mulheres, muitas das quais são mães que me mostram o lado B da Maternidade e que tão raramente é exposto. Não me falam de cansaço nem de tarefas, nada dessas coisas comuns, é tudo bem mais profundo.

Falam-me delas enquanto mulheres e do conflito que sentem como mães, mulheres e filhas que são. Estas mulheres falam-me do que vivem internamente, do turbilhão de emoções que as assola e muitas vezes desconcerta. Contam-me como se sentem a falhar num projeto para o qual sentem não estarem totalmente preparadas.

Falam-me das coisas que raramente verbalizaram, dos medos e angústias que sentem, das falhas que cometem, das vontades que não têm… falam-me delas como mulheres, algo que há muito sentem que deixaram de ser para poderem ser mães. Nas nossas conversas sinto que dão voz às suas dúvidas e angústias, aos seus projetos e sonhos, aos seus desejos e expectativas – nas nossas conversas elas (re)conquistam a sua própria voz!

Há sempre algo que lhes digo: mostrem sempre a vossas imperfeições aos vossos filhos. E, em simultâneo, mostrem também o esforço e o investimento que fazem para se melhorarem. As crianças precisam de saber que todo o ser humano é imperfeito e que a perfeição não é um objetivo a alcançar. No entanto, precisam também que lhes mostremos os caminhos que podemos seguir para nos desenvolvermos e nos tornarmos uma versão melhor daquilo que somos. 

Uma mãe não deve (nem pode) ser perfeita. Ser mãe é ter o privilégio de gerar uma vida e através dela aprender a sentir um amor incondicional. E o maior papel de uma mãe é precisamente esse: AMAR e ensinar como se AMA. Com o amor que sente pelo seu filho uma mãe dá-lhe o amparo e a segurança necessária para ele crescer. Com o amor que sente por si própria ela mostra-lhe o exemplo que devem seguir. Uma mãe AMA os seus filhos para que cresçam de forma harmoniosa e AMA-SE para dar lhes o exemplo. O amor-próprio que todos nós construímos e sentimos é fruto destes dois amores.

Assim, a maior e mais importante tarefa que uma mãe deve empreender é: AMAR(-SE) INCONDICIONALMENTE!

 



Categoria: Nós & a Família

Ana Raquel Veloso

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Licenciada Comunicação
Pratictioner Program. Neurolinguística
Pós-Graduada Neuropsicologia Clínica


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